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ANTERO DE ALDA Histórias do sagrado e do profano
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Fotografias
desde
2006
Senhora da Pena, Mouçós
(Vila Real).
Em Cerdedo, a poucos
quilómetros das Alturas do Barroso, o povo junta-se todos os anos numa
pequena capela no meio da serra, prometendo grande devoção em honra de
Nossa Senhora do Monte, que em toda a região tem fama de aceder às preces
mais íntimas.
Findas as obrigações divinas, segue-se o almoço com os
grupos de gente espalhados debaixo das árvores, por entre os morros de
pedra. Na feira improvisada vende-se roupas, frutas e bugigangas, e há
ainda as barracas de comes e bebes para os mais resistentes. A festa
prolonga-se com danças e cantares até ao pôr-do-sol.
Em S. Bartolomeu do Mar as
crianças sacrificam um 'pito' preto e são mergulhadas três vezes nas
águas do oceano para afastar os males da epilepsia e gaguez. Para não
perderem os benefícios do santo e o gozo da festa, muitos romeiros
chegam no dia anterior e pernoitam ali em tendas montadas nas dunas.
No lugar de Torno, em Lousada
(Penafiel), é Nossa
Senhora da Aparecida que cumpre com o dom de curar as maleitas das pernas
e em cuja devoção faz parte um andor com fama de ser o mais alto do
país. Tal como na Senhora da Pena, em Mouçós, Vila Real, cuja façanha
tem honras de figurar no Ginness Book — o famoso livro de
recordes mundiais.
Em Amarante celebra-se o
S. Gonçalo, conhecido por santo milagreiro, folgazão e casamenteiro das
velhas. Mulher solteira que entre na igreja e não puxe no badalo do
santo corre o risco de nunca casar...
Todas estas romarias
juntam, ano após ano, milhares de pessoas, e nelas subsistem ainda
maravilhosos
ritos do sagrado e do profano que se misturam e se completam num
imaginário expressivo de fé e tradição.
Prova disto é a Festa dos
Rapazes, em Constantim (Miranda do Douro). Aqui, depois de vários dias
de folia típica das celebrações do Carnaval de Inverno, e no fim duma
manhã de perseguição às filhas virgens da terra, a gaita de foles soa
com um lhaço divino dentro do lugar santo para abrilhantar a
missa. E no fim da procissão, mesmo ali, em frente da igreja, dançam os
pauliteiros e o casal de mascarados ensaia sem pudor os tradicionais
gestos de acasalamento...
As histórias
NOSSA SENHORA DA AFLIÇÃO (Branzelo, Gondomar)
Reza a lenda que, certo
dia, uma embarcação que se encontrava no Douro salvou-se de
um naufrágio eminente. Por essa razão terá sido edificada
pelos embarcadiços, nos anos de 1882 e 1883, esta ermida
particular em
honra de Nossa Senhora da Aflição.
NOSSA SENHORA DO MONTE (Cerdedo, Barroso)
Em Cerdedo, a poucos
quilómetros das Alturas do Barroso, o povo junta-se todos os anos numa
pequena capela no meio da serra, prometendo grande devoção em honra de
Nossa Senhora do Monte, que em toda a região tem fama de aceder às preces
mais íntimas...
Ver
NOSSA SENHORA DA APARECIDA
(Torno, Lousada)
70 homens carregam aquele que acreditam ser o
maior andor religioso do país, com cerca de 18 metros de
altura, em honra de Nossa Senhora da Conceição e sacrifício
a Nossa Senhora da Aparecida, que se revelou nos despojos de
um velho eremita que viveu numa gruta no lugar de Torno,
Lousada.
O episódio da revelação deu-se por volta de
1823, após estranhos sinais que chegavam dos céus. Desde
então a Aparecida é local especial de culto, de crianças e
velhos, dos mais humildes aos mais abastados.
Antigamente ofereciam-lhe anéis, brincos e
cordões em ouro em troca da cura de todos os males,
especialmente das doenças das pernas. Hoje sacrificam-se
círios em troca duma gravura da Santa que fornece saúde aos
que dela mais necessitam.
NOSSA SENHORA DA PENA (Mouçós, Vila Real)
Domingo, 9 de Setembro de 2007. Na devoção a
Nossa Senhora da Pena, em Mouçós, Vila Real, o mesmo de
todas as grandes romarias: os santos e os pastorinhos, as
bandas de música, a missa cantada, os cromos da Santa por
uma moeda, as barracas de comidas e bebidas, os palcos para
as bandas de rock…
Na imensa área de pinhal reúnem-se cerca de
25 mil pessoas para assistir à passagem do maior andor do
país, catapultado aos céus por uma enorme grua. O episódio
parece suplantar o caso de Nossa Senhora da Aparecida, de
Lousada, em nome de uma inscrição no Guinness.
S.
BARTOLOMEU DO MAR (Esposende)
Todos os anos, a 24 de Agosto,
tem lugar em S. Bartolomeu do Mar, Esposende, uma grande
romaria que traz devotos à praia para o banho santo.
A tradição impõe que se passe
por debaixo do andor do Santo, e depois, com um pito
(frango) negro ao colo, se dê 3, 5 ou 7 voltas (sempre
número ímpar) à igreja.
Por fim, pais ou banhistas
contratados pegam nas crianças ao colo e mergulham-nas, o
mesmo número de vezes, nas águas do mar para afugentar os
males da gota, epilepsia e gaguez.
S. GONÇALO «FESTAS DO JUNHO» (Amarante)
Em Amarante as Festas do Junho são dedicadas a S. Gonçalo.
Monge disputado entre beneditinos e dominicanos, é adorado
pelo povo e conhecido como casamenteiro das velhas,
milagreiro e folgazão.
A festa dura três dias e três noites. Começa e acaba com uma
salva de morteiros e uma arruada de tambores.
Rapariga solteira que venha às festas do Junho e não entre
na igreja para puxar no badalo do santo corre o risco de
nunca casar...
A FESTA DOS RAPAZES (Constantim,
Miranda do Douro)
Já foi o Natal!
De 27 para 28 de Dezembro correu uma noite de
folia em honra de S. João Evangelista, padroeiro da
freguesia.
Os rapazes, ávidos de gozação, estipularam o
dia em volta da gigantesca fogueira que ainda fumega no
largo do lugar. Assim, logo pela madrugada, vestem o
carocho
com uma máscara de couro, um rosário de carretos de linhas,
já vazios, pelo pescoço e um enorme garfo de madeira que
há-de recolher os salpicões ou fazer tropeçar as raparigas
da aldeia. Juntam-se-lhes velhos gaiteiros, tocadores de
bombo e de
fraita
(flauta pastoril, cinzelada na madeira) e os dançadores com
seus chapéus decorados com rosas: os pauliteiros de
Constantim!
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