topo    www.anterodealda.com | versão flash | index1

...................................................................

                                 publicações dispersas

Publicações bibliografia

 

 

 

 

«A alma tem muitos inquilinos

que estão frequentemente em casa todos ao mesmo tempo.»

GÖRAN PALM

 

 

 

OS DENTES NO ESPELHO

9.08.1986

 

A tua imagem está à frente dum grande vidro transparente

e tu és o herói. Do outro lado está uma enorme plateia de gente

com olhos de sangue à espera dum teu movimento.

Tens uns grandes dentes que observas pelo vidro espelhado

porque todos os heróis têm grandes dentes como os lobos maus

para vencerem na vida.

 

De vez em quando o teu corpo de todos os dias ganha outras formas

e a plateia como pele de um mar de ondas gesticula

com risos e ironias  às vezes sinceramente uma consternação

muito profunda e grave.

Contudo em segredo tu serás ainda para a plateia um herói

porque tens uns grandes dentes que nem sempre mostras

mas que transmitem respeito.

 

A plateia sentirá por um instante a tua desgraça quando te

                                                                      embebedas

ou quando dos teus olhos cai uma lágrima de frio, que transforma

a tua sobriedade em auto-censura. Talvez a plateia não tenha

                                                                      piedade

e talvez te rejeite.

Então alguém que até agora parecia incógnito ou demasiado novo

subirá da assistência para um lugar ainda mais alto

à espera que os seus esmerados dentes cresçam

em teatrais exercícios de tédio.

É quando tu tens de mostrar com mais força

os teus grandes dentes para que estes pareçam ainda maiores,

e se for preciso

faz mais—porque deverás mostrar que és mais herói

quando há uma razão involuntária e forte

para a tua imagem de dor.

 

«Diário de Notícias», 2/06/1987

 

 

 

 

AS JANELAS SÃO A

PRIMAVERA DAS CASAS

1981

 

Poema do guarda-chuva aberto

 

 

 

 

Poema do guarda-chuva fechado

 

 

«Arrancada» (revista), Porto, Dezembro de 1981

«Anuário de Poesia» (antologia), Assírio & Alvim, Lisboa, Maio de 1984

«Postextual» (revista), México, 1986

«Jornal de Minas Gerais» (jornal), Brasil, 23/08/1986

«DOC(K)S» (revista), França, Fevereiro de 1987

 

 

 

 

 

 

SOL I DÃO

em Braille

1986

 

      

 

«Mappe Dell’Immaginario» (antologia bilingue), Itália, Abril de 1987

 

 

 

 

 

OUTRAS COLABORAÇÕES

(seleccionadas)

                    

«O Comércio do Porto», Suplemento Cultura e Arte, Porto, 2/03/1982 e 24/11/1985

«Jornal de Letras», Lisboa, 16/04/1985

«Poemografias» (antologia), Lisboa, Novembro de 1985 

«A Coisa» (revista), Porto, Dezembro de 1985

«Sobreviver» (revista), Lisboa, Janeiro de 1986

«Rio Interior» (antologia), Porto, Maio de 1986

«Diário de Lisboa», Lisboa, 15/01/1987

«Poesia Visual», Jorge Bacelar, Universidade da Beira Interior, 2001

«Antologia da Poesia Experimental Portuguesa: Anos 60-80», Angelus Novus, 2004

«Mostra Internacional de Poesia Visual e Electrónica», S. Paulo, Brasil, 2006

«GrammaVisual», Asociación Cultural Myrtus, Córdoba, Espanha, 2007.

 

Ainda diversos trabalhos seleccionados para catálogos de exposições, dissertações, ensaios e publicações para o Ensino em diversos países.

 

 

Ver também | O Século C. N. A. | Ed. AJHLP, 1986

Ver também | memória de hibakusha e outros poemas | Ed. Galápagos—Fábrica de Poesia, 1999

 

 

         

    

Início  |  Pintura  |  Poesia  |  Fotografia  |  Projectos 

 

blog