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«Dez
alqueires de semente…»
Inscrição na fachada principal da ermida de Nossa Senhora da Teixeira
Sequeiros
TORRE DE
MONCORVO
«Título do Tombo desta casa (...)
Tem 383 varas em redondo e do Norte ao
Sul 136 e do nascente ao poente 247 varas a terra que esta marcada com o
sinal — e que leva 10 alqueires de semente até ao adro da dita casa.»
Os
frescos do eremitério de Nossa Senhora da Teixeira (Sequeiros, Torre de
Moncorvo) serão contemporâneos de Domenikos Theotokópoulos, El Greco.
O
mesmo traço, as mesmas cores e o mesmo alongamento dos corpos que se
observam nestas várias cenas do Juízo Final são típicos do pintor grego
que se instalou em Toledo, e do seu mestre, Miguel Ângelo.
Muito
provavelmente pintados ou encomendados pelo primeiro ermitão do pequeno
santuário, Jordão do Espírito Santo, terão encontrado inspiração nos
tectos da Capela Sistina.
Sem exagero, constituem uma visão de sonho que
se completa com numerosas inscrições graníticas: «Venite benedicti de meu
padre benediti» (Vinde benditos do meu pai Bento), e uma data, 1595, junto
ao arco maior da galilé.
Se,
devido a cerradas lutas entre o clero, a generosa igreja matriz de Torre
de Moncorvo não chegou a catedral (como se pensava quando começou a ser
construída), é Paulo Augusto Patoleia
que nos apresenta as suas «sete
pequenas catedrais», distribuídas pelas serranias das redondezas, que um
dia virão a constituir a rota dos frescos da região.
Entre Moncorvo e a Açoreira (a terra de Patoleia, que nos diz:
«Percorro
estas serras como se regressasse ao ventre da minha mãe»), é-nos
apresentada a lindíssima Capela de Nossa Senhora da Teixeira, que no tecto
da sua arcada exterior apresenta um conjunto extraordinário de frescos de
origem religiosa com símbolos profanos: dois diabos ali desenhados já não
estão retratáveis, porque a criançada, decerto precocemente movida pelas
superstições dos velhos, divertia-se, em tempos, a atacá-los com pedras
lançadas por fisgas. Ainda assim, é uma visão de sonho!
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