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som de entrada EMILIO DE CAVALIERI Lamentations: plorans ploravit

 

 

Para lá do Marão

«Fragas são os meus ossos...»    SLIDESHOW 

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A LOUCA DE FERVENÇA


«Todos vós estais convencidos de que um rei, para além da sua riqueza, é o senhor dos seus súbditos. Mas, se ele tiver no peito um coração brutal, se for insaciável na sua cobiça, nunca se mostrar satisfeito com o que possui, não concordareis comigo que é miserabilíssimo?»

 

«E se houver algum homem que se oponha à torrente louca da multidão, que se retire sozinho para um deserto onde possa gozar à vontade os frutos da sua sabedoria. E como se poderá humanizá-lo, senão com adulação?»

 

«Por isso, digníssimo senhor, estimo que esteja são e tome também animosamente a sua parte de loucura...» ERASMO (adapt.)

 

Maria do Carmo Gonçalves (81).

FERVENÇA, ALVÃO
Janeiro de 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A serra do Marão é um território soberbo de água e de pedra.

 

Pelas encostas serranias do Alvão, desde as fisgas do Ermelo até à remota aldeia de Alvadia — já às portas do baixo Barroso, no concelho de Ribeira de Pena —, vislumbra-se o majestoso alto da Senhora da Graça (Mondim de Basto).

 

A rudeza de quem aqui vive deve-se talvez às mesmas agrestes razões que sustentam opulentas vacas de um castanho muito escuro, cabras selvagens, coelhos bravos do monte, lobos, águias e grandes corvos de um negro carregado de muitas lendas de maus agouros…

 

 

 

 

Desta terra sou feito.

Fragas são os meus ossos,

Húmus a minha carne.

Tenho rugas na alma

E correm-me nas veias

Rios impetuosos.

Dou poemas agrestes,

E fico também longe

No mapa da nação.

Longe e fora de mão...

 

MIGUEL TORGA

 

 

 

 

Aqui, toda a terra é longínqua.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sequeiros, Torre de Moncorvo

Frescos de Nossa Senhora da Teixeira    SLIDESHOW 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

«Dez alqueires de semente…»

Inscrição na fachada principal da ermida de Nossa Senhora da Teixeira

Sequeiros

TORRE DE MONCORVO

«Título do Tombo desta casa (...)
Tem 383 varas em redondo e do Norte ao Sul 136 e do nascente ao poente 247 varas a terra que esta marcada com o sinal — e que leva 10 alqueires de semente até ao adro da dita casa.»

 

 

Entre Moncorvo e a Açoreira (a terra de Patoleia, que nos diz: «Percorro estas serras como se regressasse ao ventre da minha mãe»), é-nos apresentada a lindíssima Capela de Nossa Senhora da Teixeira, que no tecto da sua arcada exterior apresenta um conjunto extraordinário de frescos de origem religiosa com símbolos profanos: dois diabos ali desenhados já não estão retratáveis, porque a criançada, decerto precocemente movida pelas superstições dos velhos, divertia-se, em tempos, a atacá-los com pedras lançadas por fisgas. Ainda assim, é uma visão de sonho!

 

 

Os frescos do eremitério de Nossa Senhora da Teixeira (Sequeiros, Torre de Moncorvo) serão contemporâneos de Domenikos Theotokópoulos, El Greco.

O mesmo traço, as mesmas cores e o mesmo alongamento dos corpos que se observam nestas várias cenas do Juízo Final são típicos do pintor grego que se instalou em Toledo, e do seu mestre, Miguel Ângelo.

 

Muito provavelmente pintados ou encomendados pelo primeiro ermitão do pequeno santuário, Jordão do Espírito Santo, terão encontrado inspiração nos tectos da Capela Sistina.

Sem exagero, constituem uma visão de sonho que se completa com numerosas inscrições graníticas: «Venite benedicti de meu padre benediti» (Vinde benditos do meu pai Bento), e uma data, 1595, junto ao arco maior da galilé.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 

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