
© joão veríssimo
O MEDO
Ah, se algum dia eu deixar de te ver!
Se desaparecer por trás do teu rosto
a luz acesa
do meu primeiro cigarro,
o longo beijo que derramo na jóia de nata
do teu pescoço,
reflectidos no espelho onde abrigas
a empírea lentidão
no olhar que envias à nudez extática
do teu corpo,
envolvendo-o na magia premonitória
da penumbra rendida
à chegada das centelhas,
eternamente geradas pela aurora.
Ah, se um dia deixarmos de ser nossos!
JOÃO VERÍSSIMO
Da série «Os Íntimos Espaços»
Laranjeiro, 2006.








