DUAS VELHINHAS MUITO VELHINHAS
Maria Dias Carvalho e Maria Teresa.
Cada uma tem a sua história para
contar…
—O senhor donde é?
—Eu sou de Amarante. Conhece?
—Não conheço, mas já ouvi falar…
Faz-se uma pausa, e vai a dona Maria Dias:
—Então, é de Amarante… Quer que lhe conte um conto?
—Pois conte!
E desfia, sem pestanejar:
«Ó minha bela menina,
De Amarante vem o vento.
Menina que fala a todos
Não pretende casamento.»
—Gostou? —pergunta ela.
—Adorei!
—Então não acha que é verdade?
—Verdade, verdadinha!
Dona Maria Teresa
pergunta-me então se eu também quero ouvir a sua...
—Claro que quero ouvir!
E vai ela:
«A flor no baldio
Bota rosa quando quer.
É como rapaz solteiro
Enquanto não tem mulher.»
Magnífico!