
© paulo fogg
Fui ao cinema...
Viana do Castelo, 2009
| GUSTAVO SANTAOLALLA Motorcycle diaries |
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© paulo fogg
Fui ao cinema...
Viana do Castelo, 2009


© ana tomás


© carlos vilela
Experiências em estúdio com os filhos do Antero.
Santo Tirso, 2009.

© claudia wiens
People living in hotels, Cairo (Egipto), 2006.

© joão veríssimo
A PAZ
Passa o tempo e o mesmo poema trazemos
no alforge e na algibeira:
olhos em frente e tudo o que aparece é prece
pelo milagre do invencível prazer de viver,
que mesmo cativo pelas palavras e gestos rituais,
comanda à solta a infinita cerimónia da vida.
Se todos os milagres nos dão prazer,
festejados sejam na execução respirada dos cultos,
louvados sejam por nós remadores,
contra as marés de marasmo e a secura gretada
do couro nos arreios e nos freios,
pregoeiros que espalham apenas
a penúria da providência,
que habita na mera liturgia da lembrança
de que o tempo passa e o mesmo poema trazemos
no alforge e na algibeira!
Pagaremos como os mártires,
a culpa de separarmos à nascença
a crença de pagãos,
ateus, infiéis e crucificados?
JOÃO VERÍSSIMO
Da série «A Paz Oradora»
Cabeção, 2006.


© antero de alda
Seis barracas de alcatrão
Grande orquestra de badalo
Eis aqui a grande festa
Que se faz a S. Gonçalo.
St. Gonçalo from Amarante
Playful and merry maker,
You always belonged to the old ladies
Devoted matchmaker.
In Amarante the June´s festivals are dedicated to St. Gonçalo.
Disputed monk between Benedictines and Dominicans, is worshiped by the people and is known as the old ladies matchmaker, wonder-worker and merry fellow.
The festival lasts for three days and three nights. It starts and ends with a volley of gun-fire and a stroll of drums. A single woman, who comes to the June festival and does not get in the church to pull the Saint´s clapper, runs the risk of never getting married…
The different groups play in competition, in a deafness beat of the drum: It shall win the one who is the last to lay down his instruments, at about four or five a.m.
The festival is over. The June is over.
St. Gonçalo as got a thousand lives
Amarante, 6 e 7 de Junho de 2009



© donald weber
Notorious for brutal conditions, gulags were Stalinist-era forced labor penal camps in the Soviet Union. One of the largest gulag settlements was the Vorkutlag complex, where Donald Weber documented the lives and landscapes of the descendants of the former Zeks (thieves) and prison officials.
Comparados aos campos de concentração da Alemanha no tempo de Hitler, os «gulags» eram sobretudo campos de trabalhos forçados, para onde seguiam prisioneiros de delitos comuns e desertores do regime comunista autoritário de Estaline. As fotografias de Donald Weber são um testemunho do modo de vida dos descendentes do complexo Vorkuta, um dos maiores campos de detenção da ex-URSS.
Rússia: Vorkuta e Inta, 2008.

© antero de alda
The blessing of animals on the feast of San Isidro, the holy farmer.
Alturas do Barroso, village of the northern mountains, May 2009.
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Nos campos em volta da pequena capela de Santo Isidro, no alto da Pena Franga, bem à vista dos três cornos do Barroso (os majestosos cabeços que o diabo desenhou na montanha com a forma de chifres de bovino), junta-se grande parte do gado da aldeia para ser benzido durante a procissão ou simplesmente para cumprir promessas devidas por louvores recebidos, porque aqui o povo ainda tem fé.
O padre auxiliar, antigo missionário em África que decidiu calcorrear estas serras desde Viseu, faz o elogio do santo lavrador e da festa simples, e aproveita a oratória para avisar sobre os males da cobiça e da avareza: «Vejam o que se passa no nosso país, assaltado por uma onda de corrupção sem fim, envolvendo grandes políticos e banqueiros que não hesitam em vender a alma para fazerem fortunas incríveis à custa do suor dos pobres.»
Adivinha-se do sermão da missa de Pentecostes que o povo já não teme somente os males naturais (os fenómenos que mais impressionam a fantasia do homem: o fogo, o relâmpago, o furacão, o terramoto, os trovões... Ez. 37, 1-14 ), usados na Bíblia para contar as manifestações de Deus...
Alturas do Barroso, Maio de 2009.

© paulo fogg
Anjos, existem anjos? Volúveis seres
que são um instante de voluptuosa brisa
em que o tempo é a forma do desejo
e do sono das folhas e das águas.
Anjos, sim, de terra, que segredam
a argila dos nomes, o movimento azul
do ar. Na sua companhia eu sou o vento
e o meu hálito confunde-se com as suas vozes.
ANTÓNIO RAMOS ROSA
Viana do Castelo, Junho de 2006.

Muito mais do que uma abordagem artística à fotografia, a lomografia é uma forma de expressão plástica que vai para além dos próprios limites da arte fotográfica.
A guerra fria criou o contexto, os russos criaram a máquina, dois vienenses pegaram nela e reinventaram a forma de fazer fotografia. Hoje é uma forma de arte que faz parte da cultura urbana das cidades mais cosmopolitas, com as suas embaixadas lomográficas a promoverem esta nova maneira de captar imagens.
Os princípios são simples: «Sê rápido, não penses, não tenhas preconceitos em relação ao teu ambiente, absorve tudo, clica espontaneamente, colecciona e diverte-te a ser comunicativo!»
Esta é uma forma de fotografar que tenho vindo a desenvolver ultimamente.


© carlos vilela
A Lomo-Holga-Samplers-Fisheye
Surgiu a partir da década de noventa entre os jovens, porque produz fotos com cores saturadas, borrões, imagens desfocadas e luzes em movimento. Descrito assim parece que é feio, mas virou um movimento artístico. Os efeitos das imagens são surpreendentes, principalmente em função dos flashes que são coloridos (são eles que dão essa impressão onírica, de bolha de sabão!).
Santo Tirso, 2009.