os dias todos iguais, esses assassinos...

 

 
      LUDOVICO EINAUDI Primavera

 

 

 

 

 

 

#040 A INFÂNCIA EXULTADA

© joão veríssimo

 

 

 

A CRUZADA DAS CRIANÇAS

 

Não queremos saber da religião

das tuas palavras,

nem da tua ideia do Céu e do Amor.

 

Mentes se dizes

encontrar os teus deuses nas estrelas,

quando os guardas

e serves no perímetro do teu bolso.

 

Dizes o quanto choras a morte

e compreendes a dor

de quem chamas teus filhos,

 

mas rebentas com o seu sangue

a brancura

implorada das bandeiras,

acreditas na ceifa das espingardas

e dos berços.

 

Alimentas crianças com o leite

das armas ao gritar:

«Esforcem-se por carregar no gatilho!

Por honrar

um só uniforme,

uma só cor da vossa bandeira.

A vermelha!»

 

Dizes-lhes do Amor,

com palavras mercenárias,

a soldo do ódio.

 

E elas cantam-nas num hino

de louvor

a uma pátria desertora!

E elas sabem

que não as aceitas prisioneiras,

enquanto marcham

para a linha da frente e caminham

sobre um campo de minas.

 

A teu pedido

ou às tuas ordens?!

JOÃO VERÍSSIMO

 

 

Da série «A Infância Exultada»

 

Amadora, 2006.

#039 VIETNAM Y EL AGENTE NARANJA I-II

 

 

 

 

© manuel navarro forcada

 

 

Vietname, 2001.

#038 LONGE DOS HOMENS...

© antero de alda

 

 

Porque «A humanidade tem uma moral dupla:

uma que prega mas não pratica,

outra que pratica mas não prega.» 

BERTRAND RUSSEL

 

Alturas do Barroso, 2009.

 

#037 MAKING FACES

 

 

 

 

 

 

 

 

© ana tomás

 

#036 A BALCAN JOURNEY

© vanessa winship

#035 A BARCA DOS AMANTES

 

 

 

 

© paulo fogg

 

 

Ah, quanto eu queria navegar

p´ra sempre a barca dos amantes

onde o que eu sei deixei de ser

onde ao que eu vou não ia dantes.

 

SÉRGIO GODINHO exc A Barca dos Amantes

 

#034 VISÕES & SOBREPOSIÇÕES

 

 

 

 

 

 

 

 

© teresa canelas

#033 GROWING-UP IN HAITI

 

 

 

© alice smeets

 

 

Haiti, 2007.

#032 DINHEIRO DO VENTO...

© anterodealda

 

Regresso a Mourilhe. Reencontro com Ana Ferreira (70) e António Urzeiro 'da Ferreira' (74).

 

Já quase não há gado. Nem linho, nem lã, nem roca. Agora a gente negoceia com o vento… As eólicas estão espalhadas por toda a montanha.

Nos arredores de Montalegre, como na maioria das aldeias do Barroso, o povo agora negoceia com o vento. Entre outras coisas, «o dinheiro também é utilizado para pagar qualquer coisa que antes tinha de ser paga pelas pessoas da aldeia, como é o caso do pagamento anual (congra) devido ao pároco local.» Diário de Trás-os-Montes, 30 de Março de 2006

«Electricidade. Somos dos países que mais apostam nas renováveis, mas continuamos a pagar mais pelo consumo. Temos rios para produzir em grande escala e compramo-la a outros e até cedemos o nosso Douro a uma empresa espanhola para construir barragens e produzir electricidade para um milhão de pessoas por ano. O mercado já está liberalizado e ainda não podemos escolher fornecedores. Os portugueses estão confusos.» JN/Notícias Magazine, 1 de Março de 2009

 

#031 SIMPLES E DUPLA A CARNE NUNCA SE EXILA...

 

 

 

Sou o espectador o actor e o autor

Sou a mulher o marido e o filho

E o primeiro amor e o derradeiro amor

E o furtivo transeunte e o amor confundido

 

E de novo a mulher seu leito e seu vestido

E seus braços partilhados e o trabalho do homem

E seu prazer em flecha e a fêmea ondulação

Simples e dupla a carne nunca se exila...

PAUL ÉLUARD

trad. António Ramos Rosa

 

 

 

 

 

 

 

© carlos vilela

 

Em nome da poesia.

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