contacto

poesia

fotografia

home

 

  Post 216 -  Janeiro de 2018  

 

foto: Carlos Vilela 2010

 

www.anterodealda.com

 

 

pesquisar neste blog

 

Recentes

 

femicídios e o Homem seguinte

Uma mulher desnecessária...

três histórias de Natal

          [ 2. Maria da Graça ]

três histórias de Natal

          [ 1. Maria Pires - regresso ]

29 de dezembro

três histórias de Natal

          [ 1. Maria Pires ]

mnemónicas

eucaliptais

Xutos... Zé Pedro

buracos negros e universos paralelos

   [ Escola Secundária de Amarante ]

três minutos...

          [ epifanias ]

são pássaros, José!

          [ Cataluña ]

diário íntimo XXXVI

os incuráveis

o editor pergunta-me...

          [ Retratos e transfigurações ]

mentirosos

enganados

o libertino

o editor pergunta-me...

          [ Mil vidas tem S. Gonçalo ]

 

 

Antigas

 

diário íntimo XXXV

o editor pergunta-me...

          [ Europa — fuck you! ]

diário íntimo XXXIV

diário íntimo XXXIII

diário íntimo XXXII

diário íntimo XXXI

diário íntimo XXX

diário íntimo XXIX

diário íntimo XXVIII

diário íntimo XXVII

diário íntimo XXVI

diário íntimo XXV

diário íntimo XXIV

diário íntimo XXIII

Europa, dá-me a minha estrela!

a Europa é um gulag!

os suicidas de Marpi Point

diário íntimo XXII

diário íntimo XXI

diário íntimo XX

diário íntimo XIX

diário íntimo XVIII

diário íntimo XVII

diário íntimo XVI

diário íntimo XV

diário íntimo XIV

diário íntimo XIII

diário íntimo XII

diário íntimo XI

diário íntimo X

diário íntimo IX

diário íntimo VIII

diário íntimo VII

diário íntimo VI

diário íntimo V

diário íntimo IV

diário íntimo III

diário íntimo II

diário íntimo I

já ninguém anda a pé [ IV ]

já ninguém anda a pé [ III ]

já ninguém anda a pé [ II ]

já ninguém anda a pé [ I ]

o trabalho não mata

o beijo do insecto

          [ Leopoldo María Panero ]

o estranho mundo de Edward Hopper

silêncio(s) sempre...

          [ António José Forte ]

silêncio(s) ainda... [ Sylvia Plath ]

silêncio(s)... [ José Agostinho Baptista ]

um estranho lugar de chuva

          [ homenagem a Pablo Neruda ]

não há só um Deus

o editor pergunta-me...

          [ a reserva de Mallarmé ]

o ministro foi às putas de pequim

manual de sobrevivência [ XXV ]

o comboio de... Cristina Peri Rossi

o tesoureiro de Leipzig

manual de sobrevivência [ XXIV ]

manual de sobrevivência [ XXIII ]

manual de sobrevivência [ XXII ]

e o lado oculto da Europa...

a Espanha oculta de...

          [ Cristina García Rodero ]

o cortejo dos amortalhados

EU — only for rich

a essência do Capitalismo

a essência de um Capitalista

os filhos do Diabo

manual de sobrevivência [ XXI ]

ódio à Democracia [ III ]

ódio à Democracia [ II ]

ódio à Democracia [ I ]

Warhol [ 85 anos ]

manual de sobrevivência [ XX ]

manual de sobrevivência [ XIX ]

manual de sobrevivência [ XVIII ]

taitianas de Gauguin

retratos de Van Gogh

nunca serei escravo de nenhum terror

as coisas [ Jorge Luis Borges ]

manual de sobrevivência [ XVII ]

manual de sobrevivência [ XVI ]

Portugal, noite e nevoeiro

o corno de Deus

manual de sobrevivência [ XV ]

manual de sobrevivência [ XIV ]

manual de sobrevivência [ XIII ]

a filha de Galileu

um museu para o Eduardo

manual de sobrevivência [ XII ]

manual de sobrevivência [ XI ]

Torricelli, Pascal, Hobbes, razão, utopia e claustrofobia

manual de sobrevivência [ X ]

manual de sobrevivência [ IX ]

os diabos no quintal

     [ histórias de homens divididos

       entre muitos mundos ]

o pobre capitalismo...

as Madalenas de Caravaggio

manual de sobrevivência [ VIII ]

o alegre desespero [ António Gedeão ]

manual de sobrevivência [ VII ]

manual de sobrevivência [ VI ]

manual de sobrevivência [ V ]

manual de sobrevivência [ IV ]

manual de sobrevivência [ III ]

sombras [ José Gomes Ferreira ]

Phoolan Devi [ a valquíria dos pobres ]

schadenfreude [ capitalismo e inveja ]

a vida não é para cobardes

europa

a III Grande Guerra

FUCK YOU!

EU — die 27 kühe [ as 27 vacas ]

europa tu és uma puta!

bastardos!

o daguerreótipo de Deus...

o honrado cigano Melquíades...

cem anos de solidão...

manual de sobrevivência [ II ]

o salvador da América [ Allen Ginsberg ]

o salvador da América [ Walt Whitman ]

[ revolução V ] as mães do Alcorão

[ revolução IV ] paraíso e brutalidade

[ revolução III ] andar para trás...

[ revolução II ] para onde nos levam...

[ revolução I ] aonde nos prendem...

o problema da habitação

cartas de amor

a herança de Ritsos

as piores mentiras

elegia anti-capitalista

da janela de Vermeer

manual de sobrevivência [ I ]

de novo o Blitz...

antes de morrer

as valquírias

forretas e usurários

           [ lições da tragédia grega ]

Balthus, o cavaleiro polaco

abençoados os que matam...

diário kafkiano

Bertrand Russell: amor e destroços

U.E. — game over

DSK: uma pila esganiçada

coração

kadafi

o tempo e a eternidade

Bucareste, 1989: um Natal comunista

mistério

o Homem, a alma, o corpo e o alimento

          [ 1. a crise da narrativa ]

          [ 2. uma moral pós-moderna? ]

          [ 3. a hipótese Estado ]

o universo (im)perfeito

mural pós-moderno

Lisboa — saudade e claustrofobia

          [ José Rodrigues Miguéis ]

um cancro na América

Marx, (...) capital, putas e contradições

ás de espadas

pedras assassinas

Portugal — luxúria e genética

rosas vermelhas

Mozart: a morte improvável

1945: garrafas

1945: cogumelos

bombas de açúcar

pão negro

Saramago: a morte conveniente

os monstros e os vícios

porcos e cinocéfalos

o artifício da usura

a reserva de Mallarmé

o labirinto

os filhos do 'superesperma'

a vida é uma dança...

a puta que os pariu a todos...

walk, walk, walk [Walter Astrada]

Barthes, fotografia e catástrofe

Lua cheia americana [Ami Vitale]

a pomba de Cedovim

o pobre Modigliani

o voo dos pimparos

o significante mata?

a Europa no divã

a filha de Freud

as cores do mal

as feridas de Frida

perigosa convivência

—querida Marina! («I'm just a patsy!»)

a grande viagem...

histoire d'une belle humanité

o coelhinho foragido

o sono dos homens...

«propriedade do governo»

os dois meninos de O'Donnell

o barco dos sonhos

farinha da Lua

o enigma de Deus

«nong qua... nong qua...»

«vinho de arroz...»

magnífica guerra!

a lei do Oeste...

Popper (1902-1994)

 

 

SnapShots

 

 

os dias todos iguais, esses assassinos...

 

o azul de Beirute ou...

Uma mulher desnecessária

[ Rabih Alameddine ]

 

 

 «A cura para a solidão é o isolamento.»

MARIANNE MOORE

 

Os homens escrevem só para as mulheres sensíveis, porque a insensibilidade mata-lhes o cérebro.

 

 

Imagem: NAXOS AudioBooks Anna Kareninna read by Laura Paton.

 

 

 

   Aaliya Saleh vive sozinha no seu apartamento em Beirute, rodeada de pilhas de livros. Aos 72 anos, sem pai nem mãe, sem filhos e sem marido ou amante, enfim, agnóstica (agnóstica no sentido em que já só acredita nas personagens ou em alguns autores dos livros que lê), dedica-se exclusivamente a traduzir para árabe escritores como Hannah Arendt, Pessoa, Kafka, Proust e Walter Benjamin, Faulkner, Hemingway, Dostoiévski, Calvino, Jorge Luis Borges, Nabokov, Saramago... Tolstói — Anna Karenina!

 

   Começou aos 15 anos, mas desde os 22 que, praticamente todos os anos, exactamente a 1 de Janeiro, inicia uma nova tradução.

   Nunca publica, quer-se dizer: nunca ninguém irá ler o que traduz... Como que seguindo um ritual absurdo, as suas traduções ficam esquecidas em pequenas caixas fechadas com fita adesiva, no quarto da antiga empregada e ultimamente na casa de banho porque o quarto já está cheio.

 

   Aaliya Saleh, ela mesma, que aos dezasseis anos foi prometida a um marido odioso (um marido odioso quer dizer: um homem sem fé no amor ou um marido inútil), calcula que nestes últimos 50 anos já traduziu cerca de quarenta livros, «trinta e sete, se não estou em erro.»

 

   Um dia, farta de ouvir as vizinhas — «três bruxas!» — criticarem-lhe a extrema brancura do seu cabelo, decidiu pintá-lo de... azul!

 

   O resto, como acontece com a maioria dos romances, não vale muito a pena ler. Afinal, «o livro está pronto [ está feito o amor ], a maravilha dissolve-se...»

 

____

"O resto, (...) não vale a pena ler."

Talvez só lembrar que há crianças (meninas) que nascem e morrem todos os dias na China, mulheres que chegam à Europa para que certos homens se possam servir delas e devolvê-las ao lixo após utilização execrável, e até raparigas (nossas vizinhas) que ainda hoje são votadas ao desprezo perante a vaidade dos irmãos e a indiferença das próprias mães, estas sim verdadeiras mulheres desnecessárias, ou mãe inúteis.

 

 

Relacionados [ as mães do Alcorão ] [ pedras assassinas ]

 

 

 

anterior  |  início  |  seguinte

 

 

A alma tem muitos inquilinos

que estão frequentemente em casa todos ao mesmo tempo.

GÖRAN PALM

 

webdesign antero de alda, desde 2007