ANTERO DE ALDA Photography Recent Works


Marx, Engels, women, capitalism, whores and contradictions


Capitalism has grown along the with the Marxist menace, with this convenient lie that is to say that the criticism of capitalism led to the millions of deaths of Lenin, Stalin, Mao, Ceausescu, Pol Pot ... And communism sank by never having denied that guilt, for using the works of Marx (and Engels, and Proudhon) on the mirror mazes and forces, in which the proletarians of both sides are punished...


«Proletarians of all countries, unite!»

MARX & ENGELS, Communist Manifest.

'Manifest der Kommunistischen Partei', London, 1848.


Communism has sunk, still, with the atheist threat, with the false idea that the only Marxist god is work, that there is nothing short nor beyond it...


«Religion is the sigh of the oppressed creature. Religious suffering at one and the same time the expression of real suffering and a protest...»

KARL MARX ‘Critique of Hegel's Philosophy of Law’ orig. 1843.


Capitalism has also grown with the promise of easy money in exchange for the duties of religion and happiness...


«(...) Is it in this, on that inopportune and foolish scholarship atelier that the fruits will ripen, invigorating you and your loved one, and in which shall the harvest be stored, which will serve to fulfil your sacred obligations?»

Heinrich Marx, in a letter to his son Karl, regarding his theories.


Marxism and capitalism were both — ultimately — betrayed, perhaps by the same frenzy of the bourgeois happiness, perhaps sustained by the same betrayal of God and of women, by the same assumption of power and by the same fear of death...




Jenny and Karl Marx or the romantic communist love.

«I feel a man again, for I have a great passion...» (Marx, in a letter to Jenny, June 21st of 1856).

Unknown photographer, supposedly in 1866.




«Still, my love, (…) I’ve vividly imagined that you had lost your right hand and I was ecstatic (...). You know, my love, it occurred to me that if that should be the case, I would become absolutely vital to you, you’d always keep me beside you and you would love me. I also found that I could write all your magnificent ideas and I would be, in truth, useful.»

Jenny Marx, on a letter to Karl, describing a dreamt episode.



Marx loved his wife Jenny, Princess of the halls of Trier, the flashy and intelligent aristocratic, from the Prussian lineage of Baron Ludwig von Westphalen, with whom he lived for nearly forty years until his death («I feel a man again, for I have a great passion...» — quotation from Françoise Giroud’s, 'Jenny, the wife of Karl Marx', ed. Livros do Brasil, Lisbon, 1992). But he could not be faithful to her: it is a known fact he impregnated his house maid.


Surely, he was overwhelmed by the same capitalist «alienation» that in his own words, consists of the «terrible gap between the worker-subject and the product of his labour...», which spreads in several ways to all human activity, causing in the individual a «painful conflict with himself, with others and with nature» (quoted from Leandro Konder, 'Why Marx', chap. Marx and Love, ed. Graal, Rio de Janeiro, 1982).


It is the same alienation, after all, that now binds the capitalists of all countries (the so called neo-liberals), who seek to comfort their fleshes with luxurious prostitutes — the «sex proletarians», that so radically and simultaneously despise the factories punishments, the routine of home and the prohibitions of religion.


At last, contradictions.




According to Marx Private property [«Property is theft!» — Proudhon exclaimed], originates a new subjectivity which defines wealth by possessions to the detriment of sensitivity. So, the man who has things will appear rich and not the one whose core business is fraught with sensitive passion. The premonitory Marxist theory on the dissolution of the traditional family ties (not of the typical bourgeois and cloistered Victorian family, which he loathed) is expressed in the first volume of the work 'Das Kapital' (The Capital), 1867, on the chapter The Machinery and Modern Industry: he here expresses horror at the idea of industrialization, which dismisses women from the domestic circle and threatens the desecration of the female condition...


Speaking of contradictions and of the fears of Marx's father (Is it in this inopportune and foolish scholarship atelier that you fulfil your sacred obligations?) and of the «sex proletarians», it is inevitable to remember Marcuse in ‘Eros and Civilization', 1955: the control of the masses is achieved by the excess of work (full time), eliminating on the employees any desire of pleasure and satisfaction; hence, in the capitalist society, true love is impossible — either simply vanishes or is a twisted derivation of the porn industry. For both the upright Herbert Marcuse and Karl Marx, the dilemma of the contemporary world domination is in this abominable fate that wealth is not — by presumption of intelligence (and of power) — equitably distributed among those who produce it.

English version 


Antero de Alda: Câmara Antiga (Marx, Engels, mulheres, capital, putas e contradições)








  Post 046 -  Novembro de 2010  


foto: Carlos Vilela 2010



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Marx, Engels, mulheres, capital, putas e contradições




O capitalismo cresceu com a ameaça marxista, com essa mentira conveniente que consiste em afirmar que a crítica ao capital originou os milhões de mortos de Lenine, Estaline, Mao, Ceausescu, Pol Pot... E o comunismo afundou-se por nunca ter negado essa culpa, por ter usado a obra de Marx (e Engels e Proudhon) no jogo de espelhos e de forças em que os proletários de ambos os lados são castigados...


«Proletários de todos os países, uni-vos!»

MARX & ENGELS, Manifesto Comunista.

'Manifest der Kommunistischen Partei', Londres, 1848.




O comunismo afundou-se, ainda, com a ameaça ateísta, com a falsa ideia de que o único deus marxista é o trabalho, que nada há para aquém e além deste...


«A religião é o suspiro da criatura oprimida. O sofrimento religioso é ao mesmo tempo a expressão do sofrimento real e um protesto...»


'Crítica da Filosofia do Direito de Hegel ' orig. 1843.




O capitalismo cresceu, também, com a promessa do dinheiro fácil em troca dos deveres da religião e da felicidade...


«(...) É nisso, nessa oficina de erudição insensata e inoportuna, que hão-de amadurecer os frutos que revigorarão a ti e a tua amada, e que se há-de armazenar a colheita que servirá para que cumpras as tuas sagradas obrigações?»

Heinrich Marx, numa carta ao filho Karl, a propósito das teorias deste.




O marxismo e o capitalismo foram ambos traídos, por fim, talvez pelo mesmo frenesim da felicidade burguesa, talvez sustentada pela mesma traição a Deus e às mulheres, pela mesma presunção de poder e pelo mesmo temor da morte...




Jenny e Karl Marx ou o amor comunista romântico.

«Sinto-me de novo um homem, porque tenho uma grande paixão...»

(Marx, carta a Jenny, 21 de Junho de 1856).

fotografia de autor desconhecido, supostamente de 1866.





«Assim, meu amor, (...) imaginei vividamente, que tinhas perdido a mão direita e fiquei em estado de êxtase (...). Sabes, amor, ocorreu-me que nesse caso eu poderia tornar-me totalmente indispensável para ti, que sempre me conservarias ao teu lado e me amarias. Achei também que eu poderia escrever todas as tuas magníficas ideias e ser-te, realmente, útil.»

Jenny Marx, numa carta a Karl, contando-lhe um episódio sonhado.



Marx amou a sua esposa Jenny, a princesa dos salões de Trier, a vistosa e inteligente aristocrata da linhagem prussiana do barão Ludwig von Westphalen, com quem viveu quase quarenta anos, até à morte («Sinto-me de novo um homem, porque tenho uma grande paixão...» — cit. Françoise Giroud, 'Jenny, a mulher de Karl Marx', ed. Livros do Brasil, Lisboa, 1992). Mas não conseguiu ser-lhe fiel: é sabido que engravidou a própria empregada doméstica.


Foi vencido, decerto, pela mesma «alienação» capitalista que, nas suas próprias palavras, consiste no «terrível distanciamento entre o sujeito-trabalhador e o produto do seu trabalho...», e se estende de diversas maneiras a toda a actividade humana, provocando no indivíduo um «doloroso conflito consigo mesmo, com os seus semelhantes e com a natureza.» (cit. Leandro Konder, 'Por Que Marx', cap. Marx e o Amor, ed. Graal, Rio de Janeiro, 1982).


A mesma alienação, afinal, que leva agora os capitalistas unidos de todos os países (chamados neo-liberais) à procura de confortar a carne com prostitutas de luxo — as «proletárias do sexo», que tão radicalmente despeitam ao mesmo tempo o castigo das fábricas, a rotina do lar e as proibições da religião.


Enfim, contradições.



A «alienação» segundo Marx

A propriedade privada [«Propriedade é Roubo!» — exclamava Proudhon], origina uma nova subjectividade, que define a riqueza pela posse em detrimento da sensibilidade. Assim, parecerá rico o homem que tiver coisas e não aquele cuja actividade essencial sensível está carregada de paixão.

A premonitória teoria de Marx sobre a dissolução dos tradicionais laços da família (não da típica família burguesa enclausurada e vitoriana, que ele detestava) está expressa no primeiro volume da obra «O Capital», 1867, no capítulo A Maquinaria e a Indústria Moderna: aqui, manifesta-se horrorizado com a ideia da industrialização, que afasta as mulheres do seu círculo doméstico e ameaça com a profanação da condição feminina...

Com um agradecimento a Anna Marina Madureira de Pinho Bárbara, autora da obra Marx e as Mulheres (online, acesso em 12 de Novembro de 2010), no qual me inspirei para escrever este texto.


A propósito de contradições, dos receios do pai de Marx (será nessa oficina de erudição insensata e inoportuna que cumpres as tuas sagradas obrigações?) e das «proletárias do sexo», é inevitável lembrar Marcuse em 'Eros e Civilização', 1955: o controlo das massas é efectivado pelo excesso de trabalho (o trabalho em tempo integral), eliminando no trabalhador os desejos de prazer e satisfação; daí que, na sociedade capitalista o verdadeiro amor seja impossível — ou pura e simplesmente se anula ou é uma derivação deturpada da indústria pornográfica. Tanto para o íntegro Herbert Marcuse quanto para Karl Marx o dilema das dominações do mundo contemporâneo está nessa abominável fatalidade da riqueza não dever ser — por presunções de inteligência (e de poder) — equitativamente distribuída por quem a produz.




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