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  Post 080 -  Abril de 2012  

 

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[ revolução V ]

as mães do Alcorão

                                                           

 

 

«O Céu encontra-se sob os pés da tua mãe.»

MAOMÉ

 

«Têm filhos sem eira nem beira

Que hão-de reinventar o fogo

Que hão-de reinventar os homens...»

PAUL ÉLUARD

 

 

 

Sayda al-Manahe com a fotografia do filho Hilme al-Manahe,

assassinado em Tunis a 13 de Janeiro de 2011.

foto PETER HAPAK/TIME Magazine Dez. 2011

 

 

 

 

   Talvez inspirado no dramático Übermensch de Nietzsche (o super-homem plasmado em "Assim Falou Zaratustra", 1883), o inefável Francis Fukuyama ("O Fim da História e o Último Homem", 1992), preconizava um mundo sem equívocos, ou o homem no seu último estado de conforto, a partir do advento (trágico, afinal) do liberalismo de finais da década de 80. Derrida ("Espectros de Marx...", 1994) foi um dos poucos inconformados. A verdade é que Fukuyama fundamenta toda a sua teoria na mesma ilusão da superioridade ocidental que caracteriza os ideólogos do capitalismo, subestimando o marxismo, o mundo muçulmano e... as mulheres. Na óptica desta utopia, todas as manifestações e todos os protestos pareciam obsoletos, mas a degeneração do comércio livre, o advento da Primavera Árabe e a lição das mães do Alcorão vieram reacender a História.

 

 

   Em Dezembro de 2011 a TIME Magazine elegeu «the protester» como Figura do Ano, em homenagem a todos quantos nos seus lugares do mundo encontram ainda razões para contestar. Entre os mais de 100 manifestantes fotografados por Peter Hapak para a revista norte-americana, contam-se duas mães tunisinas, Mannoubia Bouazizi e Sayda al-Manahe, chamadas a falar em nome dos filhos que perderam. Sayda reclama: «O meu filho é agora um símbolo. Ele deu a vida para que nós possamos ter liberdade.»

 

   O cristianismo e o islamismo estão estreitamente ligados pela devoção à figura da Virgem Maria. Assim se referem a Bíblia («Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre!» — Lucas 1:42) e o Alcorão («Ó Maria, Deus escolheu-te e purificou-te e elegeu-te sobre as mulheres do mundo.» — Surata 3:42). Porém, enquanto os cristãos subestimam consideravelmente todas as outras mulheres («Porque eis que hão-de vir dias em que dirão: bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram!» — Lucas 23:29), para o Islão «as mulheres são almas gémeas dos homens» (Maomé), destituídas de todas as fraquezas que lhe são atribuídas desde a Grécia antiga.

 

   O mundo é mais do que aquilo que nós sabemos, diz Esther (Haya Harareet) a Judah (Charlton Heston), o judeu de "Ben-Hur" (1959). Sob os pés das mães do Alcorão — e da Bíblia, do Tanakh, dos Vedas... — há ainda muitas verdades para descobrir: muitos filhos sem eira nem beira, muitos homens para reinventar.

 

 

[ revolução IV ] paraíso e brutalidade

 

_____

"o inefável Fukuyama"

Sobre Yoshihiro Francis Fukuyama (EUA, 1952) disse Ralf Dahrendorf (Alemanha, 1929-2009): «Ele teve os seus 15 minutos de fama...» 

 

"um mundo sem equívocos?"

Infelizmente, Jacques Derrida — com Umberto Eco e Jürgen Habermas, entre outros — protagonizou em 1993 um episódio lamentável de defesa duma «Europa nuclear», em torno da Alemanha e da França, para travar a hegemonia norte-americana ("Após a guerra: o renascimento da Europa", Frankfurter Allgemeine Zeitung, Maio de 2003). Terá sido esse o erro que nos levou à actual ditadura do eixo franco-alemão?

Provando, de múltiplas maneiras, que estava ainda longe um mundo sem equívocos, na altura foi Günter Grass que se opôs, em nome do multiculturalismo, defendendo um avanço para as periferias: «O centro da Europa não é Paris, mas sim Praga» e «a riqueza da cultura europeia reside na sua variedade — incluindo as suas contradições.» (Deutschlandfunk, Julho de 2003).

 

"muitos homens para reinventar"

«Os homens nasceram para se entenderem/ Para se compreenderem para se amarem/ Têm filhos que se tornarão pais dos homens/ Têm filhos sem eira nem beira/ Que hão-de reinventar o fogo/ Que hão-de reinventar os homens/ E a natureza e a sua pátria/ A de todos os homens/ A de todos os tempos.» PAUL ÉLUARD (Algumas das Palavras, D. Quixote, Lisboa, 2ª edição, 1977, p. 137). E ainda: «O amor é o homem inacabado» (p. 45). Tradução de António Ramos Rosa.

 

 

 

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que estão frequentemente em casa todos ao mesmo tempo.

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