Mocinhas gráceis, fungíveis

Mimosas de carne aérea

Que pela erecção dos centauros

Trepais como doida hera!

Por ardentes urdiduras

De Afrodite que abonais,

Passais como queimaduras

E tudo em fogo deixais. (...)

 

Lá do fundo dos desejos

Chegais macias e quentes

Com violas nos cabelos,

Nas ancas, quartos crescentes;

Nas pernas, esguios confeitos,

Na frescura, o vermelhão

De uma alvorada que rompe

Em seios de requeijão. (...)

 

Mocinhas fúteis que sois

Da vida as espumas altas

Leves de não vos pesar

O peso de terdes almas;

Que essa força de encantar,

Ó belas! cria, não pensa.

Ser perdidamente corpo

É a vossa transcendência.